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Quem disse que o Brasil perdeu a Copa?
SEGUNDA-FEIRA, 14 DE JULHO DE 2014
 
 

“Imagina na Copa”.

Esta foi a frase que mais se ouviu no País nos últimos tempos. E à medida que o Mundial de Futebol mais se aproximava, mais constante ela ficava na boca de todos, sobretudo dos mais cultos, dos formadores de opinião e, claro, principalmente dos pessimistas de plantão. Os aeroportos nos matariam de vergonha, as manifestações de vândalos disfarçados de adolescentes aterrorizariam os turistas, o caótico trânsito das metrópoles impediria a chegada de torcedores aos estádios e, talvez, até mesmo das delegações aos locais de treinamentos e jogos. Afinal, se antes da Copa tudo isso era uma realidade, imagine durante ela.

E o que se viu? Nenhum grande atraso foi detectado em nossos voos, alguns vagabundos, é verdade, até deram o ar de sua desgraça, mas foram tão poucos e tão pouco eficientes que sequer mereceram o mínimo destaque nas mídias nacional e internacional, o transporte coletivo funcionou bem perto da perfeição em nossas grandes cidades. Ou seja: quem apostou no fracasso brasileiro enquanto organizador do maior espetáculo da Terra, quebrou a cara.

     



Mas se você pensa que isso foi o que de melhor mostramos ao mundo, engana-se. Nosso ponto alto foi o que temos de melhor, e eu não falo das nossas belezas naturais, da sensualidade inerente às nossas mulheres e nem do sabor inigualável de nossos pratos, qualidades estas já há muito famosas no mundo todo. Falo do nosso povo. Sim, daquele homem e daquela mulher que não têm acesso a uma saúde decente, nem à escola pública com qualidade para matricular seu filho, nem ao transporte coletivo que o leve de lá pra cá com o mínimo de conforto. Com todo o respeito à Alemanha, foram esse cara e essa mina os grandes vencedores da Copa do Mundo.

Foram eles que mostraram ao planeta que o brasileiro é alegre pelo simples fato de estar vivo, e por mais ingênuo este sentimento pareça a verdade é que ele é vital à felicidade do ser humano. E esta felicidade foi, em sua plenitude, compartilhada com cada gringo que aqui apareceu.

Até mesmo torcedores rivais, como argentinos, uruguaios e chilenos, reconheceram e agradeceram a hospitalidade e o carinho com que foram recebidos por um povo em sua maioria carente dos seus mais básicos direitos, mas que se sentiu no dever de bem recebê-los. E melhor: o fez com enorme prazer. Em síntese: o grande legado desta Copa do Mundo foi a imagem que o povo brasileiro passou ao planeta – que, por sinal, terá um remake em dois anos.

Se dentro de campo o Brasil deixou muito a desejar (alemães e holandeses que o digam), fora dele marcou um golaço.

 

por Márcio Trevisan



 
 
 
 
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